sexta-feira, abril 11, 2008

Irina Palm também não tem saudade

Mais um filme sobre a vida na maturidade. Irina Palm é um belo exemplo de uma excelente idéia que tem começo e fim, mas não meio. Os personagens são bons e os atores também: há desenvolvimento de suas característcas psicológicas ao longo do filme. Contudo, a ação pára. Opção de autor ou falta do que mostrar? A sensação é a de que o filme poderia ter 45 minutos. Acho que isso acontece com muita gente que faz filmes. O insight vem, a idéia é ótima. Desenvolve-se bem o gatilho da trama e sabe-se como termina. Aí vem o recheio: há 30 minutos que precisam de ação, movimento e diálogos. E Irina Palm fica andando para lá e para cá indefinidamente. Complicado escrever esses três atos. Sempre ouço que a narrativa clássica é careta. Mas quem diz que é fácil? Não quero sugerir que o filme é ruim. Pelo contrário, é uma linda história sobre amor incondicional, sobre o amor de uma avó pelo seu neto, sobre o amor de um homem por uma mulher e de uma mulher por um homem em uma situação fora do comum, sobre o prazer de redescobrir um sentido para a vida, sobre superar limites e preconceitos e sobre gratidão. Precisa mais?

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